NOVAS EVIDÊNCIAS DE QUE MARTE FOI UM PLANETA QUENTE E ÚMIDO

Este mapa, produzido pelo Altímetro de Marte Orbiter Laser (MOLA), descreve a topografia da superfície marciana. Hellas Basin, a grande região azul escuro abaixo do centro, tem um diâmetro de 2300 km, e é uma das maiores crateras de impacto identificadas tanto em Marte como no Sistema Solar. Calcula-se que tenha se formado há cerca de 4 bilhões de anos.

Um estudo recente da Mars Express da ESA e da Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA fornecem novas evidências de um Marte jovem e quente que hospedava a água em uma escala de tempo geologicamente longa, em vez de breves períodos episódicos - algo que tem consequências importantes para a habitabilidade e a possibilidade de vidas passadas no planeta.

Embora já se saiba que a água fluiu em Marte, a natureza e o cronograma de como e quando isso ocorreu é uma grande questão em aberto dentro da ciência planetária.
Os resultados seguem uma análise de uma região de terreno relativamente plano, chamado de planícies inter-crateras, ao norte da bacia da Hellas. Com um diâmetro de 2300 km, a bacia da Hellas é uma das maiores crateras de impacto identificadas tanto em Marte quanto no sistema solar, e acredita-se ter se formado há cerca de 4 bilhões de anos.
"Essas planícies na borda norte da Hellas são geralmente interpretadas como sendo vulcânicas, como vemos em superfícies semelhantes na Lua", disse Francesco Salese da IRSPS, Università "Gabriele D'Annunzio", Itália, e autor principal no novo estudo . "No entanto, nosso trabalho indica o contrário, em vez disso, encontramos grossa e extensa faixa de rocha sedimentar."
As rochas sedimentares e vulcânicas (ígneas) se formam de maneiras diferentes - vulcânicas, como o nome sugere, precisam de vulcanismo ativo, impulsionado pela atividade interna de um planeta, enquanto a rocha sedimentar normalmente requer água. A rocha ígnea é criada como depósitos vulcânicos de rochas fundidas frescas e solidificadas, enquanto as sedimentares se acumulam à medida que novos depósitos de sedimentos formam camadas que se compactam e endurecem em escalas de tempo geologicamente longas.
"Para criar o tipo de planícies sedimentares que encontramos na Hellas, acreditamos que um ambiente geralmente aquoso estava presente na região há cerca de 3,8 bilhões de anos", disse Salese. "Importante, deve ter durado por um longo período de tempo - na ordem de centenas de milhões de anos."
Há um par de modelos chaves que se apresentam - ambos envolvem a presença da água líquida, mas de maneiras completamente diferentes.
Alguns estudos sugerem que os primeiros dias de Marte (o período de Noachian, mais de 3,7 bilhões de anos atrás) tiveram um clima constantemente quente, o que permitiu vastas piscinas e riachos de água que existiram em toda a superfície do planeta. Este mundo aquoso então perdeu seu campo magnético e sua atmosfera e esfriou-se, transformando-se no mundo seco e árido que vemos hoje.
A segunda hipótese é que ao invés de acolher um clima quente e superfície carregada de água por longos períodos de tempo, Marte pode ter experimentado apenas períodos curtos e periódicos de calor e umidade que duravam menos de 10 000 anos cada, facilitados por um ciclo de pulverização de vulcanismo que aumentava e diminuía intermitentemente ao longo dos anos.
Ambos os cenários podem ter formado alguns dos elementos químicos dependentes da água e morfologias de rochas que vemos na superfície de Marte, e têm conseqüências significativas, tanto em um sentido geológico - como o planeta se formou e evoluiu, e se seu passado tem algo em comum com a Terra  e a composição e estrutura de sua superfície - e em termos de potencial habitabilidade.
"Compreender se Marte teve um clima mais quente e mais úmido durante um longo período de tempo é uma questão-chave na nossa busca por vidas passadas no Planeta Vermelho", disse o co-autor Nicolas Mangold do CNRS-INSU, Universidade de Nantes, França.

"Se pudermos entender como o clima marciano evoluiu, teremos uma melhor compreensão de se a vida poderia ter florescido, e onde procurá-la. Podemos também aprender muito sobre os planetas rochosos em geral, o que é especialmente emocionante nesta era da ciência exoplanetaria e sobre o nosso próprio planeta - os mesmos processos que pensamos ter sido importantes em um Marte jovem, como processos sedimentares, vulcanismo e impactos, também têm sido cruciais na Terra ".
As formações sendimentares só são possíveis com a presença de água por longos períodos.



SONDA LCROSS MOSTRA LOCAL DE POUSO DA MISSÃO APOLLO NA LUA


Os objetos levados pelos astronautas da Apollo 17 para a Lua em 1972 ainda estão nos mesmos lugares em que foram deixados.
A cena foi capturada pela câmera de ângulo estreito do instrumento LROC, a bordo da sonda lunar LCROS, de uma altitude de apenas 22 quilômetros acima da superfície. Essa é a mais detalhada imagem feita por uma sonda da superfície da Lua e revela interessantes feições do local da última missão tripulada ao nosso satélite.
No centro da imagem, em destaque, vemos o módulo lunar Challenger, responsável pelo transporte dos astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt. O local de pouso, batizado de Taurus-Littrow, situa-se em um bonito vale rodeado de montanhas e rico em detalhes geológicos propícios à exploração.
JIPE LUNAR LRV
Além do módulo de descida, o registro também mostra os rastros deixados pelo jipe lunar (LRV) e o conjunto de experimentos científicos ALSEP (Apollo Lunar Surface Experiments Package), cujo objetivo era o estudo do ambiente lunar. Esses experimentos já haviam sido utilizados em outras missões Apollo e consistiam de um aparelho de circulação de calor, um detector de raios cósmicos e um tubo perfurador para extração de núcleos.
LROC
A câmera LROC consiste de duas câmeras pancromáticas de ângulo estreito (NACs), com resolução de 50 centímetros e uma câmera grande angular (WAC) com resolução de 100 metros por pixel em sete bandas de cores. A LROC (Lunar Reconnaissance Orbiter Camera) é uma versão modificada da câmera ConTeXt Camera (CTX), a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiters), em atividade na órbita de Marte.


Marcas na Lua

Em nosso planeta, diversos fatores são os responsáveis pelo desaparecimento das marcas deixadas na superfície, entre eles a ação dos ventos, da água e vegetação e com raras exceções até mesmo crateras de grande porte são destruídas pelo movimento das placas tectônicas. Na Lua, os únicos agentes que podem modificar as crateras e as marcas deixas pelas missões espaciais são o vento solar e os impactos deixados meteoritos.

PROJETO DE COLONIZAÇÃO DE MARTE


A NASA tem planos para colocar seres humanos em Marte entre 2025 e 2032 e a empresa privada Mars One já está entrevistando candidatos para uma viagem ao planeta vermelho.  A seleção começou em 2013. Mas, em meio a esta ousada missão, há um mar de dúvidas. Uma delas é, como é que vamos chegar lá? E, caso isso ocorra, como iremos sobreviver às condições inóspitas de Marte?
Com as naves espaciais existentes atualmente, estima-se que as primeiras viagens a Marte deverão durar seis meses de ida e dois anos e meio de regresso. A mecânica celeste é a responsável por este longo intervalo de tempo. Com efeito, na ida o veículo ganha tempo em virtude da velocidade da Terra em sua órbita ao redor do Sol ser duas vezes mais rápida que a de Marte. Assim, durante a volta a nave será obrigada a percorrer uma revolução e meia ao redor do Sol para alcançar a Terra. Por isso essa diferença de 5 vezes entre a ida e a volta. Como o projeto de colonização é só de ida, seriam 6 meses de viagem até o planeta vermelho. A primeira nave, ou veículo interplanetário, será constituída de três módulos idênticos, montados como os raios de uma estrela. Esse conjunto ao girar em torno de seu eixo vai criar uma gravidade artificial, um terço da terrestre. Nas proximidades do planeta, essas três naves se separam, acionando seus pára-quedas, ao penetrar na atmosfera marciana. Durante o pouso, os motores serão usados como retrofoguetes.
Em Marte não há oxigênio, os níveis de radiação são elevados, ocorrem tempestades de poeira e as temperaturas são hostis aos humanos. Ao longo dos anos, a NASA testou alguns projetos de habitação em Marte e, neste ano, a agência espacial norte-americana se uniu ao MakerBot para encontrar uma solução criativa que possa driblar as grandes dificuldades que terão que ser vencidas para que seja possível estabelecer uma colonização humana em Marte.
A primeira base em Marte deverá ser constituída de módulos semelhantes ao laboratório espacial (space-lab), que servirão de alojamento; uma central de energia solar fornecerá a eletricidade para a eletrólise da atmosfera, com o objetivo de produzir o combustível necessário ao regresso das naves; um módulo de desumidificação da atmosfera, instalado junto à base, produzirá água necessária à vida; e uma unidade de hidrocultura permitirá o cultivo de plantas. O planejamento das etapas da colonização do planeta vermelho já está bem detalhado.
O processo terminará com a seleção de 24 a 40 pessoas que serão treinadas para a missão que quer enviar ao Planeta Vermelho 24 colonos de diferentes nacionalidades.
A idéia é que viajem seis grupos de quatro pessoas cada, a cada dois anos. O primeiro grupo faria a viagem de seis meses em 2025 para chegar a Marte no ano seguinte.
O custo do programa espacial, estimado em 6 bilhões de dólares, será totalmente financiado pela iniciativa privada, por meio de patrocinadores e sócios, contribuições voluntárias e conteúdo midiático gerado pela missão com a venda dos direitos de transmissão.
O projeto é apoiado por cientistas como o holandês Gerard 't Hooft, ganhador do Nobel de Física em 1999, embora tenha despertado muitas dúvidas sobre sua viabilidade.
Até agora, nenhum voo tripulado chegou a Marte, aonde os Estados Unidos conseguiram mandar robôs. O último deles, o Curiosity, chegou ao Planeta Vermelho em agosto de 2012.
O veículo interplanetário será construído em órbita terrestre, na estação espacial internacional. Simultaneamente, uma nave cargueira não tripulada será lançada em direção a Marte com equipamentos necessários para a instalação da primeira base marciana. Quando a nave tripulada estiver a caminho, uma segunda estará sendo montada na estação espacial para que haja um revezamento do pessoal que partiu primeiro. Assim, oito dos doze astronautas que haviam permanecido em Marte durante dois anos embarcam nas naves cujos reservatórios de combustível foram recarregados no próprio planeta, e voltam para a Terra.

Os quatro que ficarão em Marte deverão preparar a ampliação da base marciana com a segunda equipe. Desse modo, de dois em dois anos, a instalação original será ampliada até que veículos maiores desembarquem no planeta para deixar um maior contingente de homens, mulheres e material. Desse momento em diante, poderá se falar de uma colonização humana de Marte.

SATÉLITE BRASILEIRO SGDC-1 ENTRA EM ÓRBITA EM MARÇO DE 2017

Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas 1
O SGDC-1 (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas 1) é um satélite de comunicação geoestacionário brasileiro que está sendo construído pela Thales Alenia Space, ele será colocado na posição orbital de 75 graus de longitude oeste e será operado pela Telebrás. O satélite será baseado na plataforma Spacebus-4000 e sua expectativa de vida útil será de 15 anos.
O SGDC-1 vai trazer mais segurança para as comunicações estratégicas do governo e às comunicações militares, pois seu controle será realizado no Brasil em estações localizadas em áreas militares, sob a coordenação da Telebrás e do Ministério da Defesa.
A aquisição de um satélite próprio para as comunicações civis e militares foi tomada em 2013 pela presidente ilma após o escândalo das escutas de celulares pela CIA é uma decisão estratégica e necessária para garantir a soberania do país. Atualmente, os satélites que prestam serviço no Brasil, ou são controlados por estações que estão fora do país ou possuem o controle de atitude nas mãos de empresas com capital estrangeiro. Em qualquer dos casos há prováveis riscos de acontecer interrupções nos serviços em uma situação de conflito internacional ou decorrente de outros interesses políticos ou econômicos.

A Visiona é a empresa responsável pela integração do sistema SGDC. Ele vai aumentar a oferta de acesso à banda larga nas regiões mais remotas do Brasil, através do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), e garantir a soberania do Brasil nas comunicações das Forças Armadas.
A construção do satélite é estratégica para garantir a soberania do Brasil nas comunicações governamentais e também vai assegurar o fornecimento de internet banda larga aos municípios distantes e isolados dos grandes centros do país, aonde não chega à rede terrestre de fibra óptica. Atualmente, existem mais de dois mil municípios brasileiros com difíceis condições ao acesso para a rede de fibra ótica terrestre.
O satélite está previsto para ser lançado em março de 2017 por meio de um veiculo Ariane 5 da empresa francesa Arianeespace, e será lançado a partir do Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa. Devendo entrar em operação no segundo semestre de 2017.

A montagem do SGDC-1 já foi concluída. O governo inaugurou o centro de controle principal em Brasília e operadores foram treinados na França para manejar o equipamento. Atualmente, o satélite está em processo de aprimoramento de resistência em simuladores das oficinas da empresa francesa Thales Alenia Space. Mesmo com o aumento dos custos do projeto como consequência da alta do dólar, foi mantida a previsão de lançamento do satélite. Os investimentos voltados para o centro de controle foram feitos visando o lançamento futuro de outros satélites. Uma estação auxiliar, semelhante à da capital, está no Rio de Janeiro e servirá como um meio de reserva de segurança do controle do SGDC-1.

O satélite cobrirá todo o Brasil e ficará em órbita a 36 mil quilômetros da Terra, pesando 5,8 toneladas. Capaz de transmitir 54 gigabits por segundo, o artefato viabilizará que uma banda larga de qualidade sirva todos os municípios do país. A comunicação, mesmo nas regiões mais isoladas, será facilitada e possibilitará que a aquisição integre o povo brasileiro e gere maior acesso à informação. “Nós vamos levar cidadania às comunidades mais isoladas”, declarou Francisco Ziober, presidente da Telebras, à Assessoria de Comunicação do Ministério da Defesa.
O satélite também permitira aumentar em 2,4 vezes a capacidade das comunicações militares.
O projeto do governo Dilma era a construção de mais 2 outros satélites até 2020, os SGDC 2 E 3, não se tem ainda uma posição do novo governo se o plano para os outros satélites será mantido.

ANTÁRTIDA OCIDENTAL APRESENTA GRANDES RACHADURAS

Uma nova fenda na geleira de Pine Island, na Antártida Ocidental, fotografada durante estudos da NASA em 4 de novembro de 2016. Via NASA/Nathan Kurtz.
No ano passado, um pedaço de mais de 580 km² do glaciar de Pine Island, na Antártida Ocidental, se soltou e caiu no mar. Agora cientistas da Terra da Universidade do Estado de Ohio, nos EUA, detectaram a causa desse evento: uma rachadura que começou muito abaixo do solo e em terra.
É diferente de qualquer outra coisa que cientistas já tenham visto na Antártida Ocidental antes, e não parece ser um bom presságio para o futuro da camada de gelo.
Uma fortaleza congelada contendo água o suficiente para elevar o nível global do mar em muitos metros se derreter, a camada de gelo da Antártida Ocidental é separada do oceano por uma série de grandes glaciares. Por enquanto, esses glaciares agem como rolhas em garrafas de vinho para manter o gelo na baía, mas esse pode não ser o caso dentro de algum tempo.
Pesquisas recentes mostram que Pine Island, Thwaites e outras geleiras ao redor do mar de Amundsen estão retrocedendo rapidamente, à medida em que as águas quentes do oceano chegam às suas margens. Neste ponto, diz a NASA, o colapso de todo o setor do mar de Amundsen parece ser “imparável”.
A maior questão é saber quão rapidamente esse gelo vai derreter, e, para descobrir isso, precisamos detectar os mecanismos responsáveis pelo colapso da camada de gelo. Para isso, um estudo publicado na Geophysical Research Letters volta ao verão de 2015, e chegou a partir daí em uma conclusão perturbadora.

Vista do topo do mar de Amundsen, onde grandes geleiras da camada de gelo da Antártida Ocidental se soltam e vão para o oceano. Via NASA/GSFC/SVS
“O evento em si não foi grande coisa,” disse o pesquisador Ian Howat ao Gizmodo, notando que quebra de icebergs desse tamanho ocorre a cada 5 ou 6 anos em Pine Island. “O que fez isso ser diferente foi a forma como começou.”Em Pine Island e em qualquer outro lugar da beira-mar de Amundsen, a separação ocorre na parte externa da geleira, onde a camada de gelo é separada da rocha. “É meio que como um trampolim saindo de uma piscina”, disse Howat. Normalmente, rachaduras começam a se formar nas áreas que experienciam cisalhamento extremo do gelo que flui do continente. Elas vão se propagar pela geleira, causando eventualmente a quebra total desse trampolim.Não foi assim com o evento de Pine Island no ano passado. Ao analisar imagens de diversos anos tiradas pelo satélite Sentinel-1A, Howat e seus colegas ligaram a separação a uma fenda que se formou na base da geleira a cerca de 30 km de costa em 2013. Ao longo de dois anos, a fenda se propagou da parte de baixo até o topo, até que finalmente gerou um iceberg com dez vezes o tamanho de Manhattan.O que poderia ter feito tanto gelo se quebrar de uma forma tão incomum? Aparentemente, o derretimento começou no ponto de contato entre o gelo e a base rochosa. Isso explicaria porque a fenda se sobrepôs como um vale topográfico – um lugar em que o gelo parecia ter diminuído – nas imagens de satélites tiradas no passado.
“Eu acho que estamos vendo a expressão de superfície de um vale muito maior na base da camada de gelo,” explicou Howat. “Isso nos diz que a camada de gelo tem fraquezas que estão sendo exploradas pelo aumento nas temperaturas do oceano.”O problema é que, conforme as águas da Antártida Ocidental esquentarem, essas fraquezas vão ser mais e mais vezes exploradas. “Se a camada de gelo estava regredindo lentamente em escalas longas de tempo, nós esperaríamos ver apenas as separações normais,” disse Howat. “Esse evento nos dá um novo mecanismo para camadas de gelo que se separam rapidamente. Ele se encaixa naquela imagem de uma regressão rápida.”Howat destacou que uma segunda fenda interior na camada de gelo (na imagem acima) foi detectada durante um estudo da NASA no começo do mês. E existem muitos outros vales topográficos – locais que podem sofrer com eventos parecidos no futuro -, mas nossa habilidade de estudá-los é prejudicada pela falta de bons dados.É difícil ouvir isso e lembrar que o programa de ciências da Terra da NASA, que disponibiliza muitos dos dados para cientistas e para o publico – pode sofrer cortes grandesdurante a administração Trump. Esses cortes viriam em um momento em que nosso planeta está mudando de forma rápida e difícil de prever, que é quando essa ciência é mais necessária.
Foto de topo: uma nova fenda na geleira de Pine Island, na Antártida Ocidental, fotografada durante estudos da NASA em 4 de novembro de 2016. Via NASA/Nathan Kurtz.


BUSCAMOS UM MUNDO MELHOR




Brexit. Trump. Mudança climática. O sistema financeiro. Autoritarismo. Pode continuar a lista, todos os itens darão angústia e ansiedade. A situação do mundo te incomoda, mas o que poderá você, um indivíduo minúsculo e irrelevante perdido no poderoso sistema, fazer para mudar qualquer coisa? Como você pode fazer a diferença?
Bem, acontece que há muitas maneiras de se engajar politicamente — se você quiser, todo santo dia. Aqui estão quatro delas.

1. SEJA UM PRODUTOR REFLEXIVO
Nosso emprego acaba sendo nossa maior contribuição à sociedade em termos de capacidade produtiva. Nós passamos décadas trabalhando em um setor específico para empregadores específicos, e produzimos um determinado resultado. Alguns desses empregos são neutros, outros são danosos, e vários deles são benéficos.
ue tal parar para pensar se o seu trabalho é dedicado à coisas éticas, tanto do ponto de vista político quanto do econômico? Seu potencial criativo é absorvido pela propaganda? Sua engenhosidade é usada para projetar armas? Sua oratória está vendida ao lance mais alto de um leilão? O processo produtivo com que você contribui é dedicado à justiça? Ao conhecimento? Ou ao lucro puro e simples? Quem se beneficia do seu trabalho?

2. SEJA UM CONSUMIDOR CONSIENTE
Ao longo de nossa vida nós damos muito dinheiro para muitas pessoas por meio das nossas compras. Alguns produtos que nos alcançam foram feitos por trabalhadores em boas condições de vida, ou por empresas de baixo impacto ambiental.
Nós estamos em dívida com os responsáveis por celulares. Eles contém minerais que podem vir de áreas de conflito como o Congo, onde o estupro é arma de guerra e a mineração é controlada por milícias que usam crianças de soldados.
Partes da indústria da moda usam trabalho infantil, e não podemos nos esquecer que boa parte do plástico que consumimos vem do petróleo, uma indústria que ajuda a abastecer conflitos armados no Oriente Médio. Tudo que nós compramos tem uma história e um custo social, ambiental e político. Isso vai muito além do preço.

3. SEJA UM CIDADÃO ATIVO
É óbvio que podemos usar os canais políticos abertos oficialmente para sermos cidadãos ativos. De petições a eleições, estão ao nosso alcance campanhas políticas, sindicatos e até cartas para nossos representantes. Alguns irão até considerar como tática a desobediência civil. Tanto Gandhi quanto as sufragistas foram reconhecidos como heróis por políticos estabelecidos anos depois.
Mas nós também podemos nos tornar receptores mais conscientes de mensagens políticas. Entender os princípios da comunicação política para não cair em truques. Há a teoria do estabelecimento de pautas (agenda setting), da espiral do silêncio e a teoria do cultivo, entre outras. As táticas do marketing político são eficientes para ganhar votos — afinal, Trump é uma marca. E não é difícil identificá-las depois que nós descobrimos como elas funcionam.

4. SEJA UMA PESSOA DE PRINCÍPIOS
Pense na conversa que ouviu na rua, ou no que o seu tio disse em um almoço de família, ou no insulto racista ou misógino que você flagrou no ônibus. Você pode deixar por isso mesmo ou pode intervir. É claro, uma intervenção frutífera precisa ser sensível e cuidadosa. Mas se alguém diz algo que te incomoda, quem sai ganhando se você não reage? Se alguém é movido por medos, porque não ouvir e discutir, se mantendo fiel a seus princípios?
Nós vivemos em comunidades. A maior parte das pessoas é bem normal. Algumas terão visões políticas opostas às suas. Porque não conversar com eles sobre o assunto educada e respeitosamente, criando empatia e considerando soluções conjuntas? Isso te ajudará a desenvolver seu próprio pensamento.

Texto extraído da Revista Galileu. 

A FASCINANTE VARIEDADE DOS "MUNDOS OCEANO"




A água é fundamental para a vida. Hoje sabemos que existem milhões de planetas com enormes oceanos, tanto na superfície como em seu interior. Possivelmente sejam o maior refúgio para a vida, mas não são todos iguais.
Em nosso sistema solar existem vários mundos com oceanos internos, mas só a Terra possui oceanos superficiais.
Para entender a diversidade da água nos diferentes mundos devemos definir o que entendemos por mundos oceânicos. A Terra, por exemplo, tem muita pouca água em proporção a sua massa enquanto Europa e Ganimedes são mundos com oceanos internos muito diferentes entre si. Para por ordem a esse caos se criaram vários sistemas de classificação sendo o mais conhecido do astrônomo Helmut Lammer. Lammer considera que a Terra é um planeta de classe 1, ou seja, um planeta habitável dotado de um oceano de água líquida em sua superfície de forma estável (esta é a definição de habitabilidade em astronomia). Vênus e Marte são planetas de classe 2, ou seja, mundos que no passado foram habitáveis e que talvez hoje apresentem áreas habitáveis (quando dizemos habitáveis dizemos organismos simples ou micro-organismos) especialmente no caso de Marte, embora não podemos duvidar da atmosfera superior de Vênus.
Logo temos mundos que podem estar situados fora da zona habitável tradicional de sua estrela, mas possuem oceanos subterrâneos. Neste caso nem todos são iguais e o tamanho da crosta é importante. Os mundos de classe 3 são aqueles em que existe um fluxo contínuo de material entre a crosta de gelo e o interior rochoso do planeta e, portanto, é possível que desfrutem de fontes hidrotermais, um paraíso para a vida. Em nosso sistema solar temos 2 desses mundos: Europa e Encelado. Devido seu tamanho, Europa tem um potencial de habitabilidade  muito maior que Encelado, mas os gêiseres deste último nos dão a oportunidade de estudar seu interior sem necessidade de posarmos em sua superfície.
A classificação não para aí, ainda existem os mundos de classe 4, aqueles que tem oceanos internos isolados por uma grossa crosta exterior de gelo onde não existe um fluxo constante de material com a superfície. No sistema solar há muitos exemplos de mundos classe 4, os mais famosos são Ganimedes, Calisto e Titan.

Mas a essas 4 classes de mundos, ainda pode-se acrescentar mais uma, a classe 5 um tipo de mundo ausente de nosso sistema solar. A classe 5 seriam verdadeiros mundos oceânicos que estariam cobertos com dezenas, centenas ou mesmo milhares de km de profundidade (para diferenciá-los dos mundos oceânicos superficiais relativamente rasos, como a Terra, há quem use o termo “mundo aquático” quando se refere a nosso planeta.