AS PRIMEIRAS 63 HORAS DE PHILAE SOBRE O COMETA 67P


 
 
Em 12 de Novembro de 2014 o módulo de aterrissagem Philae da ESA pousou na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, quase 30 anos após os primeiros sobrevôos pioneiros ao cometa 1P/Halley em 1986. Hoje se publica um número especial da revista Science sobre os resultados que Philae obteve em suas primeiras 63 horas, desde que se separou de Rosseta e tocou o solo de 67P em um lugar chamado Agilkia y e após vários rebotes acabou em repouso em outra área chamada Abydos.

O mais relevante a nível de notícias foram os resultados dos instrumentos COSAC y Ptolemy, que analisaram a poeira levantada por Philae durante o pouso. Foram observadas 16 moléculas orgânicas, incluindo algumas relacionadas à vida. Muito se especulou que esse resultado apóia a hipótese de que os ingredientes da vida chegaram à Terra em um cometa a 3,8 bilhões de anos. Todavia é muito cedo para extrair esse tipo de conclusão a partir dos dados de Philae sobre um único cometa.

Outros instrumentos de Philae nos deram informações muito interessantes. ROLIS nos mostrou a superfície do cometa em torno de Agilkia com uma resolução de 1 cm por pixel. CIVA nos mostrou a superfície de Abydos. MUPUS nos mostrou que a superfície em Abydos é um pó rico em gelo duro sinterizado coberto por uma camada de poeira fina. CONSERT mostro que o interior de 67P é similar ao de outros meteoritos carbonosos condriticos.

VIVENDO EM OUTROS MUNDOS DO SISTEMA SOLAR: MERCÚRIO


 
IMAGINANDO A PRESENÇA HUMANA NO PLANETA MAIS PRÓXIMO DO SOL.

 
A Terra é nosso lugar, é o ambiente mais acolhedor para a vida que conhecemos, em parte porque evoluímos nela, nos adaptamos ao que ela nos oferece, sendo como somos no final, os filhos deste mundo azul. Porém como espécie capaz de sonhar, imaginar e aspirar a ir sempre mais além de nossos próprios limites, olhamos outros mundos, nos projetamos neles e aspiramos a que algum dia sejam também cenário de nossa existência interplanetária. Deixando de lado as possíveis exoterras que podem existir em outros sois , em outras estrelas e que seguiram fora de nosso alcance, como seria viver em uma colônia humana em cada um dos principais corpos celestes do Sistema Solar?
Iniciaremos nossa viagem pelo pequeno e abrasivo Mercúrio.

Com suas flutuações extremas de temperatura, Mercúrio não está provavelmente na lista dos lugares que queiramos colonizar. Porém, se tivéssemos a tecnologia para sobreviver no planeta mais próximo do Sol, como seria viver ali?

Até o momento apenas duas sondas visitaram Mercúrio. A primeira, MARINER 10, realizou uma série de sobrevôos sobre Mercúrio em 1974, mas apenas sobre a metade iluminada do planeta. Messenger da Nasa, por outro lado realizou sobrevôos e, em seguida entrou em órbita de Mercúrio em março de 2013. Imagens da sonda permitiram aos cientistas mapear completamente o planeta pela primeira vez.

A nave Messenger nos revelou que existe água gelada nos pólos de Mercúrio, protegida do abrasador calor solar pela escuridão permanente que cobre o interior de algumas crateras. Extrai-la seria uma boa maneira de viver “da terra”, mas o estabelecimento de bases nos pólos poderia não ser uma boa idéia, explica o cientista da missão Messenger David Blewett. “As regiões polares te dariam um respiro da tremenda força do Sol. Mas, por isso, faz muito frio naquelas áreas de sombra permanente onde se encontram esses depósitos de água e apresentam seus próprios desafios. Uma melhor opção seria, provavelmente, a criação de uma base não muito longe de uma das capas de gelo, talvez na borda de uma cratera e estabelecer uma operação de extração de água do pólo”.

Ainda assim, enfrentar as temperaturas extremas que dominam esse mundo seria inevitável. Durante o dia estas chegam a 430 graus Celsius enquanto as noturnas baixam até  menos 180 Celsius. Durante algum tempo os astrônomos acreditavam que a rotação de mercúrio estava capturada pelo Sol ( como está a da Lua em relação à Terra) o que significa que um lado do planeta sempre está orientado para o Sol. Mas agora sabemos que o dia de Mercúrio dura quase 59 dias terrestres. Tendo em conta que o planeta órbita o Sol uma vez cada 88 dias terrestres, isso significa que seu ano dura menos de dois dias mercurianos. Melhor não organizarmos nossa agenda de atividades utilizando essa medida de tempo.

Esta lenta rotação nos ofereceria um curioso e fascinante espetáculo celeste, já que este, combinado com a elipse de sua órbita, faz com que o Sol siga uma trajetória realmente estranha através do céu do planeta. “Sai pelo leste e se move através do céu. Mas logo se detem e se move um pouco para trás. Depois retoma seu movimento para Oeste e termina desaparecendo atrás do horizonte”, explica Blewett, acrecentando que o veríamos 2,5 vezes maior que o vemos da Terra. Além disso, por não existir uma atmosfera que disperse a luz solar, como acontece na Terra, veríamos o céu sempre de cor negra, tanto de dia como de noite e, durante a noite, por esses mesmos motivos as estrelas seriam pontos de luz estáticas, sem o típico “piscar” como as vemos da Terra, fruto das turbulências atmosféricas.

Sem atmosfera, Mercúrio não tem meteorologia alguma, não tendo que nos preocupar com possíveis tormentas devastadoras. Não dispondo de massas líquidas ou vulcões ativos, também não tem tsunamis ou erupções. Mas este mundo não está desprovido de desastres sobrenaturais, já que a superfície está exposta a impactos de todos os tamanhos. Também está exposto a terremotos devido às forças de compreenção que estão reduzindo o planeta. (Diferentemente da Terra, Mercúrio não tem atividade tectônica)

Com uma gravidade equivalente a 38% da terrestre, poderíamos nos mover com facilidade. E embora o peso seja menos, os objetos seguem tendo a mesma massa e inércia, o que pode nos derrubar se alguém nos lança um objeto pesado, exatamente da mesma maneira e com a mesma força como ocorre na Terra. Também para as comunicações com a Terra os problemas são os mesmos que enfrentamos hoje, já que o sinal levaria 5 minutos para chegar até eles e outros 5 para receber a resposta.

E para aqui nossa pequena visita a Mercúrio. Mas queremos conhecer outros mundos antes de decidir viver em um deles. Assim, saltemos ao seguinte, tão improvável ou mais que o primeiro. Próxima parada: VENUS.
 
 

OU CONSTRUIMOS UM NOVO MUNDO OU NÃO HAVERÁ MUNDO PARA NINGUÉM


 
Só pode ser piada, e de muito mal gosto, o acordo tão festivamente anunciado entre EUA e China sobre a redução dos gases de efeito estufa pelos 2 paises que juntos são responsáveis por quase 50% de todo gás emitido no mundo.

 “O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que seu país reduzirá antes de 2025 a emissão de gases de efeito estufa entre 26 e 28% em relação a 2005, enquanto que seu parceiro da China Xi Jinping, informou que aumentará em 20% a utilização de energias renováveis até 2030.”

O presidente americano fala em 26% menos sobre as emissões de 2005, ou seja 10 anos atrás.

O mundo não tem esse tempo todo para suportar continuas emissões de gases de efeito estufa. Como vimos neste blog, na declaração do IPCC 5 as conseqüências serão irreversíveis.

Parece que a única saída para que medidas efetivas sejam tomadas tem que partir da própria população. Ir às ruas, em escala mundial em defesa da Terra e das futuras gerações de todas as espécies, que tem direito à vida  e não ficar à mercê de um sistema que oprime e destrói tudo pela frente, como um predador voraz. Em nome de um consumo desenfreado e burro tudo que conseguimos foi a infelicidade e a destruição de um planeta que agoniza. Está na hora de criar um novo sistema em que o respeito ao planeta e a todas as espécies que nele vivem deve ser o primordial. Respeito à vida ao invés de consumo desenfreado. Viver com equilíbrio e felicidade ao invés de luxo, ostentação e riqueza. Tornar primordial o equilíbrio ao invés de deixar que o deus mercado dite as regras. Ah! Falar é fácil, mas como atingir isso? Horas, não me digam que não é possível, o homem pousou em um cometa, o homem produz células que criam novos homens, quando o homem quer ele se diz Deus.

Ou começamos a agir seriamente na construção de um novo mundo ou não haverá mundo para ninguém. É importante, vital mesmo, começar a pensar nisso e, mais que pensar, começar a agir.
imagem de José Eduardo Mattos
 

SE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ SEGURO VEJA O MAPA DA NASA

Este diagrama mapeia os dados recolhidos a partir de 1994-2013 em pequenos asteroides que impactam a atmosfera da Terra para criar meteoros muito brilhantes, tecnicamente chamados de "bólidos" e comumente referidos como "bolas de fogo". Tamanhos de ponto amarelo (impactos do dia) e os pontos azuis (impactos noturnas) são proporcionais à energia irradiada ótica dos impactos medidos em bilhões de Joules (GJ) de energia, e mostram a localização dos impactos de objetos de cerca de 1 metro (3 pés) a quase 20 metros (60 pés) de tamanho. Crédito da imagem: Ciência Planetária

Um mapa divulgado DIA 14 DE NOVEMBRO pela Near Earth Object da Nasa (NEO) Programa que revela pequenos asteroides que entram frequentemente e se desintegram na atmosfera da Terra com distribuição aleatória ao redor do globo. Lançado para a comunidade científica, o mapa visualiza os dados recolhidos pelos sensores do governo dos EUA de 1994 a 2013. Os dados indicam que a atmosfera da Terra foi impactado por pequenos asteróides, resultando em bólidos (ou bolas de fogo), em 556 ocasiões diferentes no período de 20 anos. Quase todos os asteróides deste tamanho se desintegram na atmosfera e são geralmente inofensivos. A notável exceção foi o evento Chelyabinsk, que foi o maior asteroide a atingir a Terra neste período. Os novos dados podem ajudar os cientistas a melhor refinar as estimativas da distribuição dos tamanhos de NEOs incluindo os maiores, que poderiam representar um perigo para a Terra.

Projeto Rosetta: O final de um sonho


A missão Rosetta chega  abreviadamente ao seu fim. A posição em que o módulo Philae pousou no cometa não lhe dá luz de sol suficiente para recarregar as baterias e o módulo entra em hibernação. Isso não significa o fim da missão. A medida que o cometa vai se aproximando do Sol e a intensidade de luz aumente talvez seja possível voltar a trabalhar.
É decepcionante saber que ele iria continuar conosco mais alguns meses mandando dados sobre a origem do universo que estão ocultos nas rochas primordiais do cometa.
Philae trabalhou até o esgotamento de sua bateria primária não recarregável, projetada para enfrentar situações como essa e dar tempo de cumprir objetivos mínimos. Por isso ainda conseguiu enviar inúmeros dados científicos incluindo do penetrómetro MUPUs e mais importante sendo capaz de perfurar com broca 25 cm de rocha e enviar inúmeras informações da composição do solo do cometa.

Todo o problema se deu no momento da aterrisagem quando o instrumento encarregado de fixar Philae ao solo falhou e o modulo pulou duas vezes de posição acabando por se estabilizar junto a uma parede rochosa em que recebe a luz solar apenas por 1,5 hora a cada 12 horas, insuficiente para recarregar suas baterias de trabalho.

Philae encontra-se agora profundamente adormecido, poupando a pouca energia disponível para manter-se vivo e esperar tempos melhores de luz. Quem sabe um dia o escutaremos de novo mas mesmo se isso não aconteça ele é um testemunho eterno e silencioso de que um dia a humanidade foi capaz de pousar em um desses corpos primitivos do sistema solar. Só podemos ser gratos a todos aqueles que tornaram isso possível. Até um dia pequeno Philae.

MISSÃO ROSETTA CORRE PERIGO


Assim foi o acidentado pouso de Philae.
 
A aterrissagem de Philae sobre o cometa 67p Churimov é um feito extraordinário e o será ainda por um bom tempo até ser superado por outra grande façanha espacial. Mas nem tudo foi perfeito. O módulo “quicou” duas vezes antes de se estabelecer em um lugar definitivo, isso porque os arpões que deveriam fixá-lo ao solo do cometa não funcionaram como deveriam. Isto não seria um problema  se o módulo não houvesse se fixado junto a uma parede de rocha que limita sua exposição aos raios solares há apenas 90 minutos a cada 12 horas. Se os cientistas não encontrarem uma maneira de mudá-lo de lugar, a energia de suas baterias se esgotarão em dois dias.

Não é simples movê-lo sem sistema de propulsão. A nave conta com quatro instrumentos que envolvem movimento e um deles deverá funcionar o suficiente  para movê-lo alguns graus para que seus painéis solares recebam luz suficiente.

Para tentar a operação os técnicos vão desencadear um instrumento chamado MUPUS que possui um pequeno martelo. Os cientistas acham que o movimento causado por esse instrumento poderá agitar Philae o suficiente para deslocá-lo mais longe dessa parede dando maior alcance à luz solar. A equipe do projeto se reúne a cada duas horas para decidir o melhor caminho a seguir.

A ILHA DOS AMORES


 
São Paulo, a cidade, já teve uma ilha, sim e uma bela ilha ajardinada onde os paulistanos passeavam nos anos 1870 e 1880. Essa ilha ficava no meio do Rio Tamanduateí, hoje um rio poluído e fedorento com zero de oxigênio, mas no século XIX era um belo e imponente rio.

Segundo o jornal “A Província de São Paulo” em sua edição de 18 de maio de 1877, a ilha era mesmo uma coisa de outro mundo. A Ilha causava no visitante “ uma admiração extraordinária, pelo pitoresco e gracioso efeito de seus passadiços tortuosos, de seus repuxos de uma água límpida e pura como o cristal e sobre tudo de suas roseiras e de seus mássicos de ervas, de um verde o mais tenro que as fadas parecem ter semeado naquela residência encantada, onde tudo respira poesia”.

Seu nome: Ilha dos Amores, um pedaço de terra que sobrou no meio do rio após sua primeira retificação (alinhamento). Ficava próxima à Rua 25 de Março e mantinha um chalet que servia pela manhã café simples e com leite, pão com manteiga, etc e durante o dia comidas frias e bebidas de todas as qualidades, e uma casa de banhos – muito útil em tempos sem água encanada, que oferecia “banhos de nado e de chuva” das 6 da manhã às 6 da tarde.

 

Mais tarde a ilha acabou abandonada. As chuvas que a alagavam parcialmente foram parte do motivo. Por fim não sobreviveu à segunda retificação do Rio Tamanduateí, no início do século 20.